quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Tintim
Sem pudor, Sócrates assume a ligação promíscua que existe entre o poder político e o poder económico, algo impensável há alguns anos apenas.
Fê-lo entre os seus pares, que ouviram a mensagem, terão aplaudido e retirado boa dose de inspiração para fazerem o mesmo no seu país em circunstâncias semelhantes, isto é, com tempo de antena nas televisões, audiência farta e em fase de reeleição.
Mas, o mais engraçado é que não consigo entender se Sócrates se está a promover a si, ao seu governo ou ao Magalhães. Na primeira hipótese, apodera-se do mérito alheio e usa a seu belo prazer o investimento da JP Sá Couto para fomentar a sua imagem de político preocupado com a educação das crianças. Se pretende promover o seu governo, está de novo a apropriar-se de capital alheio, a que acresce o facto de ridicularizar os seus ministros ao afirmar que esta é a sua única ferramenta de trabalho. Percebem-se as gafes do orçamento.
Se, ao contrário, está a promover o Magalhães, usa a sua influência política e o seu tempo de antena privilegiado para promover um produto específico, desenvolvido por uma empresa privada, única beneficiada com a mensagem publicitária produzida.
Esta ligação entre a economia e a política, que os povos de todo o mundo percebem, tem-se agudizado, sabendo-se hoje que não serve os interesses dos estados, apenas de alguns tipos, muito poucos, poucos demais para que se continue a promover esta promiscuidade.
O cenário montado na abertura desta cimeira abre portas a uma nova forma de sponsoring, em que as empresas de um dado país colocam os seus produtos à vista do povo e usam os políticos como celebridades para os publicitarem. Ninguém sabe o cachet cobrado pelo artista, quais são as agências que promovem as celebridades políticas e quais os custos de produção e compra de espaço para emitir a mensagem. Pior, não sabemos que produtos ou serviços se qualificam para este tipo de publicidade.
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