sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O murro e a formação

O murro do primeiro-ministro da República Checa desferido contra um repórter fotográfico e as cenas de circo da formação do Magalhães, são dois acontecimentos que evidenciam o estado a que chegaram as pessoas que têm como obrigação permanente a formação dos povos.
Ao agredir um fotógrafo em plena via pública, o homenzinho que governa a República Checa legitimou todos os actos de agressão semelhantes entre os seus concidadãos. Os exemplos são dados de cima para baixo. O pai educa o filho, embora já pouco se saiba acerca do que é educar. Se o contrário tivesse acontecido e, por razões que o próprio achasse legítimas, o fotógrafo tivesse agredido o primeiro-ministro, outra história teria sido comunicada ao mundo. Seria uma história dramática, em que alguém teria atentado contra a integridade física de um político responsável, sério, educado, defensor dos supremos interesses do seu país, pai devoto e homem respeitado. O agressor teria sido detido, teria sido interrogado durante horas, se calhar maltratado e acusado de agressão ou até, quem sabe, homicídio na forma tentada, se não tivesse sido aniquilado in loco.
No caso que as televisões transmitiram, foi apenas um nobre murro enfiado no focinho de um plebeu.

Nas acções de formação do Magalhães, os formadores e/ou os pedagogos responsáveis pela formação dos professores resolveram achincalhar os formandos, exortando-os a compor músicas infantis e a cantar desbragadamente tributos às virtudes do Magalhães. Dizem que quem não participasse não se habilitaria ao sorteio de um fantástico Magalhães. Dizem, muitos dos que participaram, que nunca se sentiram tão constrangidos. Dizem que havia formadores do Leste a falar inglês, apresentando slides em português e senhoras americanas, da Intel, a falar inglês, para professores portugueses.
Dizem que o produto é português ou melhor, ibero-americano, senão ter-se-ia preparado uma acção com formadores do Turquemenistão.
Dizem que os professores estão motivadíssimos para ensinar os seus alunos a operar com o Magalhães. Têm, apenas, dúvidas quanto ao idioma a utilizar, metodologia e origem do aparelho. Dizem que quem concebeu estas acções de formação deveria ser fotógrafo e viver na República Checa.
No caso que as televisões transmitiram foi apenas uma acção de formação em que se deram pérolas a porcos, para que estes ensinem uns leitõezinhos.

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