Velho,
Voz firme, aplicava silêncio. Hoje suplico silêncio, que me ouçam.
Por entre convulsões de vozes que se atropelam, ouçam a minha, fraca de velho.
Se nada mais sou, cinzas ainda restam, queimem devagar que a pressa já não interessa.
Virgem de medo, sou virgem, mas de morte, não medo, que o medo já não mata, de medo.
Morto sim, vivo também, já não sou o vivo que vive aqui dentro. Vivo, mas fora, sei agora, porque dentro ainda não vivera.
Mas sei que vivera de nova, nova vida sem medo, sem medo, sem ele, ele que mata e não volta.
Fora eu afora, tocando com carinho aonde nunca tocara, menos velho seria, seria apenas velho.
Futuro chegado, já passado e sem presente, entre tempo, morto, vivo sem tempo, sobra-me o tempo.
O tempo que já não tenho.
terça-feira, 17 de junho de 2008
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