Escrevo,
Porque escrevo, porque sinto vontade.
Forma e conteúdo, ténues e frágeis, dominante estereótipo arrasa o senso, arrasa censos de gerações, de hábitos, de gente que era gente e nada indigente.
Hoje, fruto de tudo que nada é, de medos, de liberdades, gula grassa pelo meio, gula devora podridão nascida em berço de capital, mito mal explicado, nunca aplicado. Nem esse, nem o outro, já exumado, pestilento, bem ornado.
Canibais que já não se comem uns, mas outros, delícias de rico novo, misérias de pobre velho.
De velhos e novos, primeiro juntos, primeiro separados, por fim ajuntados, fluxo só um, cada vez mais um, um. Apenas um.
Muitos pagam pecado capital, poucos recebem dádiva de sangue.
Sangue, vermelho. Vida, incolor. Morte, já sem dor. Nem dói, não, não dói.
A mim já doeu, às vezes não. Se já nada doesse, não escrevesse.
Escrevo porque me dói.
Dói-me o mundo, dor grande e aberta, sem futuro.
terça-feira, 17 de junho de 2008
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