terça-feira, 17 de junho de 2008

Pobre

O pobre é tão pobre que nem sabe que é pobre.

Não sabe que a sua pobreza lhe vem de dentro, do fundo, das entranhas.
Não sabe que há no mundo quem lhe meça a pobreza e a veja, desnuda, feia,
Feiura que jamais viu, nele ou nos outros, porque neles a tem que inventar.
Arma-se da sua pobreza, revestindo-a com a riqueza que lhe sobra, para dar e vender.
Mas dá apenas a pobreza, espalha-a como peste, sem saber que dela vai padecer até morrer.
O pobre é tão pobre que no meio da sua pobreza diz espalhar abundância.
Mas espalha a opulência que não tem e sorve a magnificência que afirma não querer, por ela luta sem tréguas, dá-lhe a pobreza de volta, sempre na volta.

O pobre é mesmo pobre, será sempre assim, pobre mesmo pobre.

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